Estudos em Línguas: Português-1.2

Na fonética e fonologia, como previamente explicitado, o objeto central é o aspecto sonoro de um idioma, de qual deriva sua unidade fundamental: o fonema. Os fonemas não são exatamente uma reprodução exata dos segmentos enunciativos maximamente redutíveis de uma língua, no sentido de que não são representações objetivas, independentes de qualquer língua em particular que, simultaneamente se aplicam a todas, como o alfabeto fonético internacional; mas sim uma representação objetiva, porém que se adequa ao paradigma de um idioma de modo que fonemas ou padrões de pronuncia não existentes nele são adaptados a matiz particular daquela língua. Vide os exemplos com relação ao inglês: stock, estoque; basketball, basquetebol; blackout, blecaute. Observa-se a tendência do português no Brasil de evitar consoantes não soantes, desacompanhadas de vogal. Isso, como se pode ver na grafia das palavras, tem consequências ortográficas, e não se restringe somente a pronuncia, como seria no caso de um sistema logográficos, no kanji (japonês) por exemplo, em que um caractere ou palavra (caso o caractere coincida de ser uma palavra também e não somente um morfema ou algo do tipo) possui múltipla pronuncias, não sendo isso refletido na grafia dos próprios caracteres. De volta aos fonemas, essas unidades são documentadas na gramáticas como somente aquelas reproduções sonoras que produzem alteração significativa, distintiva entre vocábulos, daí o fato de estarem condicionadas a uma língua particular. Não se fala em fonemas em si, a não ser no contexto de um alfabeto fonético internacional, fala-se de fonemas portugueses, franceses, gregos etc. E.g. pia, gia, tia; os fonemas são representados pelas letras “p”, “g” e “t”. A distinção fonêmica, é o que permite a distinção vocabular. Alterações sonoras não estabelecidas no paradigma de um idioma não serão registrados em ordem a uma distinção vocabular.

Antes de prosseguir construtivamente, é necessário conhecer bem o objeto central conhecido como a unidade mais básica. Para isso, busca-se descreve-lo. Há duas maneiras de descrever fonemas, uma fonética ou articulatória (pela qual são mais propriamente chamados de fones) outra fonológica. Aquela, por ser mais desenvolvida se faz com termos mais precisos e é portanto mais usada; esta, relativamente recente, mal se compreende que não seja de base acústica. A descrição dos sons da fala de base articulatória, como o nome diz, procura mostrar quais os órgãos do aparelho fonador envolvidos na produção deste ou daquele som, i.e. procura descreve-los segundo como foram produzidos e classifica-los de acordo. Ou seja, fonemas que são produzidos de modos similares se agrupam em suas respectivas categorias. As categorias, é claro serão nomeadas de acordo com a região da cavidade bucal onde o fonema foi produzido, o papel da língua, do véu palatino, dos dentes, dos lábios e das cavidades bucais e nasais. Os diversos órgãos do aparelho fonador (anteriormente mencionados) interagem mais, ou menos para produzir o conjunto de sons da fala. Isto posto pode-se fazer uma divisão básica entre aqueles sons que não apresentam —ou apresentam modulações muito pequenas para se considerar nessa distinção– e os que apresentam interferência, e se caracterizam por ela. Essas duas classes são chamadas vogais, fonemas em que as cordas vocais vibram livremente, e consoantes, fonemas que “com soam” a uma vogal, se realizam por uma interação entre órgãos do aparelho fonador. Entre os dois opostos, há ainda as semivogais, que são os fonemas “I” e “U”, que, quando juntos a uma vogal, com ela formam sílaba. Encadeados, os fonemas formam segmentos soantes cujos núcleos são vogais, chamados silabas, em quais as palavras são decompostas. Nesse sentido, verifica-se também que há diferentes encontros entre os dois tipos de sons (consoantes e vogais), os encontros consonantais e vocálicos, ambos com suas respectivas ramificações. Cada uma das quais pode ser uma sílaba ou residir em sílabas distintas (o encontro); esses encontros não se fazem somente de modo intravocabular mas também de modo intervocabular na fala hodierna, tal fato tem implicações métricas a poesia.

Constituídos os vocábulos, é possível desenvolver o conceito de tonicidade mais plenamente. Nas palavras encontra-se sílabas tônicas e átonas; a tonicidade de uma sílaba se determina através de certas características físicas que se manifesta em dosagem maior ou menor nesta ou naquela sílaba. Essas qualidades são: a intensidade (a força expiratória da pronúncia), o tom (a altura musical, isto é, a frequência com que vibram as cordas vocais em sua emissão), o timbre (o metal da voz, i.e. a conjunção entre o tom fundamental e os secundários produzidos pela ressonância daquele na  cavidade por onde passa o ar), a quantidade (a duração da emissão silábica). Assim pela intensidade os sons podem ser fortes ou fracos, pelo tom, agudos ou graves, pelo timbre, abertos ou fechados, pela quantidade, longos ou breves. Geralmente, porém, esses elementos estão intimamente associados, e o conjunto deles, com predominância da intensidade, do tom e da quantidade é o que se chama acento tônico. Classifica-se então, os vocábulos segundo o acento tônico, mais especificamente, segundo a posição do acento na palavra (palavras de mais de uma sílaba), em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, contando da última, penúltima, e antepenúltima respectivamente; e.g. café, escola, exército (ca-FÉ-, es-CO-la, e-XÉR-cito). Com isso, aprecem também os acentos secundários, provenientes de palavras de corpo maiores, que manifestam uma acento mais forte e um mais fraco. Materialmente, porem, a frase falada constitui uma cadeia sonora com seus acentos principais é secundários a que pode estar subordinado mais de um vocábulo. Cada segmento de frase dependente de um acento tônico chama-se grupo acentual. Contudo a depender da cadência da fala uma palavra pode residir em diferentes grupos acentuais; sendo que uma cadência mais rápida tende a reduzir o número de grupos acentuais, enquanto que uma mais lenta os aumenta.

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